15 de Julho de 2009

Yves Saint Laurent, notas de uma visita



Faz um ano que Yves Saint Laurent morreu, e é possível ver um pouco do seu legado na exposição “Yves Saint Laurent, Viagens Extraordinárias” que fica em cartaz até o dia 19 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro.

É impossível pensar na história da moda do século XX sem pensar em Saint Laurent. Podemos dizer, a grosso modo, que ele deu continuidade a idéia de Chanel, buscou no guarda-roupa masculino maneiras de deixar a mulher mais confortável e de acordo com o seu tempo e suas conquistas. Saint Laurent enxergava além... Viu a margem esquerda do Rio Sena, valorizou a juventude efervescente dos anos 60 e a enxergou com potenciais consumidores, casou arte e moda muitas vezes. E YSL era um grande detector de tendências.nato, e é aí que entra a exposição carioca.

Muito antes das agências que detectam comportamentos cobrarem fortunas para viajar o mundo e dizer às marcas de moda no que elas devem apostar na próxima coleção, Saint Laurent detectou o “étnico” (expressão tão usada hoje em dia) por pura paixão pela cultura de outros países.

Yves Saint Laurent usava elementos das indumentárias tradicionais de cada país para criar suas roupas. Não deixava passar nada: estampas, amarrações, proporções, caimento, tecidos, acessórios, cores, e por que não a alma de cada país. Adaptava tudo ao gosto das mulheres.




Rússia







Índia






Ásia - China e Japão









Espanha






Marrocos
Saint Laurent adora o país e tinha uma casa em Marrakesh, palco de muitas festas.







África







Crédito:
laura artigas / moda pra ler e
croquis e fotos "Espanha" - divulgação exposição

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Aqui um vídeo que gravei durante minha visita:




Como desbravador de culturas abriu caminho para muitos estilistas seguissem suas idéias. Ele traduzia em roupa suas sensações, nesse sentido ouso dizer que por isso seu processo criativo era tão doloroso quanto magnífico.

No documentário “Yves Saint Laurent, o tempo redescoberto” ele revela suas personalidade triste e profunda. O filme, aliás, um registro fundamental da personalidade desse criador, e foi exibido recentemente no MUBE em SP de graça - quorum baixíssimo, aliás, estudantes de moda de São Paulo fiquem ligados para não perderem oportunidades como essa.

Para conhecer mais sobre Yves Saint Laurent:

Fondation Pierre Bergé Yves Saint Laurent - http://www.fondation-pb-ysl.net

E sua Biografia “Yves Saint Laurent”, de Laurence Benaïn, editora Siciliano, encontrado facilmente em sebos.

E esse textinho reflexivo que a Danuza Leão escreveu no dia 27 de junho em sua coluna na Folha de S. Paulo.

Por Danuza Leão
Glamour, para esquecer o Senado

Não há nenhum costureiro que faça um vestido de noite que chegue aos pés dos que fazia St. Laurent

OUTRO DIA fui ver a exposição de St. Laurent no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, e fiquei boquiaberta com as coisas que vi. Não foi uma surpresa, pois sempre acompanhei o trabalho do mais talentoso de todos os costureiros que já existiram, mas como ando meio desligada da moda, havia esquecido das maravilhas criadas por St. Laurent ao longo de 40 anos.

Ninguém vai negar o mérito de Balenciaga, Chanel ou Dior, mas, no fundo, eles copiavam a si próprios a cada coleção -exceto quando Dior criou o "new look". Já St. Laurent buscou inspiração na África, na Rússia, na Espanha, no Marrocos, na Ásia e nem sei mais em que outras culturas e adaptou-as a seu modo, cada uma mais linda que a outra. E mais: enquanto os outros costureiros ficavam no preto, branco, bege, cinza, marinho, e mais ou menos só, St. Laurent ousou colorir o universo feminino, misturando cores que nunca ninguém, em seu maior delírio, teria coragem de ousar. Rosa-choque com vermelho, roxo com amarelo, laranja com verde -não, o mundo nunca havia visto isso antes.

E inventou o smoking para as mulheres, o que mudou todo o conceito de como se vestir elegantemente à noite; foi o supra-sumo de um achado simples e audacioso, o preferido do costureiro. Em uma entrevista, St. Laurent disse que a única coisa que lamentava em sua vida era não ter inventado o jeans. Só um gênio como St. Laurent diria isso.

Depois de ter visto a exposição, fui ver o vídeo que é um apanhado de todo o seu trabalho, e a tristeza do final, quando ele, já mal de saúde, fragilizado, vai à passarela pela mão de sua grande amiga Catherine Deneuve; nada a ver com o garoto que aos 19, 20 anos tomou o lugar daquele que até então era o maior de todos, Dior. E depois, no mesmo vídeo, uma bela entrevista do tímido, sensível e genial costureiro.

E fiquei pensando nesse -aliás, naquele- mundo de sofisticação, glamour e luxo que não existe mais.
Não há nenhum costureiro que faça um vestido de noite que chegue aos pés dos que fazia St. Laurent; apesar de nunca ter pertencido verdadeiramente a esse mundo, andei perto dele, e sabia do que acontecia nos salões. Grandes festas eram oferecidas por milionários como o rei do estanho, Antenor Patiño, originário de um país tão pobre como a Bolívia, o triliardário mexicano Charles de Bestegui, nascido em um país na época tão pobre quanto o México, e o também riquíssimo chileno Arturo Lopez, todos conhecidos por seus bailes em Paris, em Veneza e em Estoril, que ficaram na história do jet-set. Eram todos temáticos; ou um baile de máscaras, ou oriental, ou recordando Proust, cada um com mais de mil convidados, todos vipérrimos, atrizes internacionais, magnatas poderosos, e nobres, muitos nobres. Um jornal da época fez um delicioso comentário: "submersos num mar de tanta aristocracia, nem se pode compreender como existem tantas Repúblicas".

A exposição de St. Laurent me fez viajar no tempo e lembrar destas festas inacreditáveis que eu, apesar de não tê-las frequentado, soube como eram por amigos que tinham ido. E percebi, mais do que nunca, o que já sabia: que o mundo mudou, e para sempre. Nunca mais haverá um St. Laurent -comparem uma foto dele, sempre elegantíssimo, usando gravata mesmo quando trabalhando no seu ateliê, com uma de Galliano, de lenço de pirata e brincos.

Nunca mais acontecerão bailes como aqueles, nem haverá mulheres tão bonitas e glamourosas como Audrey Hepburn ou Jerry Hall, tudo isso acabou. Quem viu viu, quem não viu soube, e quem nunca viu nem soube vai morrer sem ter visto e sem saber.
E não compreendo que no ano da França no Brasil uma exposição tão importante tenha sido mostrada apenas no Rio, quando teria a obrigação de ter ido também para São Paulo. Uma bela pisada na bola de parte dos organizadores.


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Na minha opinião outra pisada de bola foi o catálogo com impressão em papel de péssima qualidade.

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Não está na exposição, mas para mim essa é a obra prima de Yves Saint Laurent: o vestido Mondrian.


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Aficcionados por livros de moda, cuidado com a livraria da Travessa. Durante sua visita ao CCBB, além do catálogo levei também - A autobiografia do Paul Poiret e O Pequeno Dicionário da Moda do Christian Dior.

14 de Julho de 2009

para ter costanza

Acabei de ler o novo livro da Costanza Pascolato, “Confidencial”. Fiquei encantanda com sua sinceridade, espontaneidade e com seu olhar tranqüilo sobre a vida. O livro é um manual de comportamento e vitalidade, para se espelhar e tentar seguir a risca algumas das dicas.



Em seu texto, muito cativante por sinal, ela ensina qual o segredo para construir seu estilo e sua elegância. E define que a necessidade fundamental é encontrar a harmonia entre corpo e personalidade. E cita como é estranho uma mulher de porte tímido estar usando uma roupa sensual, e como é desconfortável alguém de personalidade expansiva enfiada em uma roupa austera.

Outra observação precisa é considerar que hoje ser educado é um diferencial. E narra como se mostrou educada e gentil em várias situações. Uma vez retribuiu com o brinde do desfile da Gucci o atencioso atendimento de uma médica durante uma emergência em Milão.

Ela conta com total elegância os obstáculos que enfrentou na vida: separações, busca por reconhecimento no trabalho, problemas de saúde. Se assume preguiçosa e confessa como é difícil equilibrar o exercício do pecado capital com um lado batalhador que a tornou uma das grandes damas da moda brasileira. Revela que não é amiga das plásticas e aos 69 anos orgulha-se de suas rugas. Viajada, fala de Londres, Paris e Milão como quem fala da esquina

Costanza nasceu na Itália, construiu sua carreira no Brasil, mas é acima de tudo uma cidadã do mundo. E o seu mundo ela escancara agora em 240 páginas.



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Na ocasião do lançamento do livro perguntei quais títulos de moda ela recomendaria. Depois de mais de quatro horas assinado livros ininterruptamente, ela citou "O Império do Efêmero" do filósofo francês Gilles Lipovetsky. Depois me questionei se aquela era a melhor hora de fazer a pergunta. Mais um momento Briget Jones acumulado. Em seu novo trabalho literário ressalta seu lado leitora voraz. Fiquei sonhando com sua biblioteca, por isso a pergunta. Um outra hora quando ela estiver mais tranqüila vou tentar descobrir. Já fica essa dica.

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Minhas companheiras na fila pelo autógrafo da Costanza Pascolato foram as jornalistas Simone Esmanhotto do blog C´est Sissi Bon (recomendado pela Costanza no novo livro) e Natália D`Ornellas da L´Officiel. Entre um passo e outro elas me contaram quais três os livros de moda preferidos do momento. Anotem as indicações.



13 de Julho de 2009

Cadê o biquíni cortininha?

Conforme tinha prometido no vídeo da Oficina de Estilo há quase um mês...

Os desfiles de moda praia nessa temporada apostaram em modelos mais sofisticados. E fiquei pensando se tem tanto iate assim no Brasil? Brincadeiras a parte, estou tentando entender esse novo momento da moda praia brasileira. E surgem muitas dúvidas que compartilho por aqui.

A Cia. Marítima, a Água de Coco e a Paola Robba (ex -Poko Pano) apostaram em formatos e padronagem diferenciadas, poucas estampas, relevos, recortes, aviamentos pesados, acessórios, brilho...Todas essas empresas de moda contam com uma grande pesquisa de tendências e materiais, por isso emergir essa haute couture na moda praia brasileira provoca um susto.

Paola Robba verão 2010

Cia. Marítima verão 2010


Água de Coco verão 2010

Luiza Bonadiman verão 2010

todas as fotos Charles Naseh/ Modices


Me chamou a atenção principalmente a Cia. Marítima sem estampas. Quem freqüenta o litoral norte paulista sabe que a grife é um uniforme. Como era comum encontrar uma coleginha com um biquíni igual.

A história da Cia. Marítima desde o verão 98. A Gisele era presença frequente nos desfiles da grife.


Noto que há algum tempo andam surgindo marcas de moda praia como propostas de biquínis e maiôs com mais pano, que conferem um ar mais sofisticado, porém, ainda assim, é possível enxergar os modelos clássicos.

Jo de Mer
Crédito: divulgação


Beach Couture
Crédito: site oficial


Alór
Crédito divulgação


Adriana Degreas
Crédito: elle.com.br



No assunto praia chique, a Lenny sem dúvida é a referência porque traz a moda praia sofisticada em seu DNA. E ganhou fama fora do país. Não podemos esquecer, claro, a Rosa Chá que é pioneira no mercado externo e que também foi fazendo seus modelos ficarem mais arrojados.

Lenny verão 2010
Crédito: Charles Naseh/ Modices



O Brasil o modelo mais amado é o cortininha. Entre tantas razões , aponto a marquinha. Afinal quanto menos pano, maior o bronze. E com o nosso grande litoral e o calorão que bate no país todo, ficar bronzeada o tempo todo e ter aquele arzinho saudável é uma opção bastante viável.

Aí vendo os desfiles senti saudades dos modelos singelos tão presentes nas praias brasileiras. E me pergunto se o mercado interno vai aceitar bem essas novas propostas cheias de recortes que não funcionam para a beira-mar, já que o bronzeado vai ficar com uma marca de sol tão arrojada quanto as formas propostas na passarela.

Acredito que no ponto de venda haverá opções para as conservadoras de biquíni ou haja festa em iate para tanto biquíni chiquérrimo.

Será que o David Azulay, saudoso dono da Blue Man, também se renderia a nova onda?

Ah! Não posso esquecer de falar da Salinas e da Movimento que mostraram looks mais chiques, contudo mais fiel ao momento máximo do verão: sol + praia + biquíni.

Salinas Verão 2010/ Charles Naseh / Modices



gente dá uma olhadinha no site da marca Só Biquini http://www.sobiquini.com.br



- o oposto a alta-costura da moda praia.

30 de Junho de 2009

a bela da semana




Cíntia Diecker...


crédito das fotos: Modices

29 de Junho de 2009

são paulo fashion week em looks

Aí vai:

crédito das fotos - Modices


Osklen









Alexandre Herchcovitch









Maria Bonita




Huis Clos




Reinaldo Lourenço



Maria Garcia





Ronaldo Fraga







Isabela Capeto